Nadal - 2001
Histórico








Texto modificado de: Genealogia da Família de Giacomo Nadal-1999.

Apresentaremos neste momento, fragmentos da História de Vida de Giacomo Nadal e Angela Cescon Nadal. Esta História foi reconstruída através de relatos orais e de pesquisa bibliográfica. Ela retrata a esperança e a luta do casal na busca de um sonho de viver e deixar para seus filhos um mundo de paz, amor fraternidade, trabalho e liberdade.



Giacomo Nadal, nasceu em 1847 na comuna de San Fior, Província ao norte da capital Treviso, junto à cidade de Conegliano, na região do Veneto (Itália). Esta localidade atualmente conta com uma população de aproximadamente 5.500 habitantes.

Clique em um dos mapas para maior detalhamento.

Com 32 anos de idade, estatura mediana, barba, cabelos e bigode castanhos, acompanhado de sua esposa Angela, com 31 anos e de seus filhos: Paolo (com 8 anos), Santo (com 6 anos), Maria (com 4 anos) e Giovani (com 8 meses) e João, nascido em 1879, emigraram para o Brasil no mesmo ano.


Deixaram a Itália , sua pátria, porque a situação era muito difícil, poucas propriedades disponíveis, terras fracas e difíceis de cultivar, a neve cobria as montanhas e inviabilizava o cultivo de hortaliças, cereais e vinhedos. O rigor do inverno matava as plantações fazendo com que o desespero e a revolta tomassem conta dos agricultores, os impostos eram altos, a situação política entre a Áustria e a Itália era muito complicada.

Viviam oprimidos pelo recrutamento militar, que desmantelava as famílias que viviam acabrunhadas, em choro e quase desespero porque os chefes de família e os filhos homens que, ao invés de estarem dirigindo e trabalhando em família, encontravam-se em frentes e trincheiras de guerra: a maior parte ainda, sujeitos a patrões arbitrários e tirânicos ( era o "amargo ganhar o pão" (ZAMBOTTI, 1983), a impossibilidade de dar o sustento aos próprios filhos, constituía-se em frustração e humilhação.

Giacomo, Angela e seus filhos partiram da Itália, com a esperança de verem realizado seu sonho de proporcionar aos filhos trabalho e pão em abundância, o que lhes faltava na Itália.

A possibilidade de conseguir o sustento, por conta própria, livre de patrões, sem as amarguras da guerra, foi sem dúvida, o grande sonho do casal Nadal, como para os demais emigrantes italianos pobres.

A proposta de emigrar trazia em sí a esperança, através do trabalho da terra, da conquista de liberdade e autonomia, trazendo em sí o sustento necessário à própria família.

A proposta da imigração chegou chegou até o casal através dos agentes de imigração, que apresentavam as vantagens da viagem paga pelo governo brasileiro, a consignação das terras com prazo médio de dez anos para pagá-las e ainda recursos financeiros para cobrir as primeiras despesas, estadia garantida até a designação da localidade e posse da terra.

Desenvolveu-se, na Europa, grande campanha com a finalidade de angariar imigrantes,pois D. Pedro II queria o progresso e o desenvolvimento nacional.

As leis anti-escravagistas vinham se avolumando e de qualquer maneira, com mais ou menos tempo, a escravidão se extinguiria. O país precisava ser colonizado e habitado, sobretudo no sul.

Fazia-se grande propaganda na Europa sobre as maravilhas do Brasil, distribuía-se folhetos publicitários a comunidades inteiras.

Em busca de novos horizontes e com esperanças de uma vida melhor, em 24 de outubro de 1879, Giacomo, Angela e seus quatro filhos, deixaram sua pátria a Itália, seus amigos e parentes, não sem amargura e saudades, mas antes, com a coragem, e o espírito de luta e aventura dos valentes, e com o objetivo de vencer e assumir o Brasil como sua nova pátria.

Juntamente com centenas de emigrantes embarcaram no navio a vapor Wilheln , com destino ao Brasil e enfrentaram 46 dias de viagem, agrupados na terceira classe, dormindo nos porões, junto às caldeiras, sob a luz artificial insuficiente e o calor sufocante.

Giacomo e seus filhos meninos foram separados de Angela e da menina. Era a regra estabelecida para todos: homens de um lado e mulheres de outro.


Angela, durante a viagem, amamentou Giovani que estava com 8 meses, porém, muitas mães perdiam o leite, porque estranhavam a alimentação e em conseqüência, os bebês pereciam e eram jogados ao mar, assim como os que ficavam doentes e não resistiam às precárias condições de viagem.

Desembarcaram em Parati, no Rio de Janeiro,em 10 de dezembro de 1879.

Foram registrados no Departamento de Imigração, submeteram-se aos exames de saúde e foram liberados em cinco dias.

Ficaram alojados na "Casa da Imigração", aguardando a designação da localidade e o termo de posse das terras que iriam receber do governo.

Inicialmente, a família Nadal fixou-se em Morretes, no Paraná, na colônia Anhaia, onde iniciou uma nova vida, longe das dificuldades e da pobreza que assolavam a Itália naquela época.

Ali permaneceram por vários anos, dedicando-se à atividade rural, de onde conseguiam os recursos, para manter sua família, que agora crescia com os nascimentos de Lúcia, Domingos, Bôrtolo e Izabel.

Alguns anos depois, transferiram-se para Ponta Grossa, onde já se fixara seu genro Vicenzo Conforti Motti (casado com sua filha Maria), e que trabalhava então como marceneiro. Adquiriram a Chácara Neves, em Uvaranas, onde estabeleceram-se, dedicando-se às atividades de agricultura, pecuária, vinicultura, olaria e leiteria.

O patriarca Jacob ou "Barbão", como pasou a ser chamado, incentivou para que muitas outras famílias italianas imigrassem para o Brasil, pois, dizia:

"_Sem patrões vive-se muito melhor!"

Acreditava que para fazer a América era necessário muito trabalho, o que garantia comida, bebida e liberdade.

Foi líder de sua família e da comunidade. Homem trabalhador, religioso e severo, viveu e criou os filhos, juntamente com sua esposa, levando em conta princípios básicos como a valorização da família, religiosidade, tradição, fraternidade e o amor ao trabalho.

Na Chácara Neves conviviam harmoniosamente na mesma moradia avós, filhos, noras, genros e netos, cada qual cumprindo com as determinações que se lhe atribuíam , contribuindo para o bem estar de toda a família.

Por volta dos 70 anos de idade Giacomo e Angela vieram residir onde atualmente é a avenida General Carlos Cavalcanti, ao lado da igreja de Uvaranas, a qual ajudaram a construir e nela vivenciaram sua fé cristã.

O "nono" e a "nona", como os seus descendentes passaram carinhosamente a chamá-los, possuíam o olhar tranqüílo de quem viveu plenamente como pessoa e como casal, e também por ter encaminhado todos filhos.

Giacomo era respeitado por todos os seus descendentes, e gradativamente (dentro do patriarcado) foi dando autonomia para que seus filhos se estabelecessem e constituíssem suas próprias famílias.

Após o falecimento de Giacomo (16/02/1934), Angela passou a morar com seu filho Giovani, até o final dos seus dias (02/08/1939).

Giacomo e Angela nunca deixaram de sonhar. Suas vidas foram exemplos de coragem , amor e fé. Acreditaram que poderiam deixar para seus descendentes um mundo bem melhor do que o que eles encontraram, e que pela coragem de enfrentá-lo e transformá-lo puderam saborear o prazer de viver uma vida plena de desafios, emoções e amor.

Hoje seus descendentes têm nas suas vidas o exemplo dos feitos do passado, fazendo parte dessa história, no novo mundo que ajudaram a construir, o que traz o orgulho de pertencer à Grande Família Nadal.


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